Vapor Beapendi (Navio) / Costa Azul-Bahia



Baependi (Baependy) foi um navio Brasileiro de carga e de passageiros, afundado, na noite do dia 15 de agosto de 1942, pelo submarino alemão U-507, no litoral do estado de Sergipe. Foi o décimo sexto navio brasileiro a ser atacado (o décimo quinto naquele ano), e o seu torpedamento consistiu, até então, na maior tragédia brasileira na Segunda Guerra Mundial, com 270 mortos, sendo superado nessa estatística apenas pelo afundamento do cruzador Bahia, em 1945, no qual morreram cerca de 340 homens.
Embora o desastre com o cruzador tenha custado mais vidas, o torpedeamento do Baependi - e os que se seguiram nos dias seguintes - causou tamanha comoção nacional, que levou o país a sair da sua neutralidade formal para declarar guerra ao Eixo no final daquele mês de agosto de 1942.
Com efeito, sendo o ataque realizado a poucos quilômetros da costa, somado ao fato de que muitas das vítimas eram mulheres e crianças, a repercussão foi enorme. Nos dias que se seguiram, mais cinco navios seriam afundados pelo mesmo submarino, elevando o número de mortos à casa das seis centenas e enchendo as manchetes dos jornais com as fotografias chocantes dos mortos, que apinhavam as praias do sul de Sergipe e do norte da Bahia.
Nesse ataque morreu exatamente o dobro de pessoas em relação aos quatorze anteriores (entre janeiro e julho daquele ano). Há quem considere a investida alemã ao litoral brasileiro como o "Pearl Harbor brasileiro"um ataque de surpresa, igualmente infame e ultrajante, com um número elevado de mortos e feridos.

VAPOR BEAPENDI - NAUFRÁGIO

Na tarde do dia 15 de Agosto, o Baependi, comandado pelo Capitão-de-Longo-Curso João Soares da Silva, navegava a cerca de 20 milhas (aproximadamente 37 km) do litoral do estado de Sergipe, ao largo da foz do Rio Real, quando foi avistado pelo U-507. A navegação tão perto da costa fora uma orientação do Lloyd Brasileiro aos seus navios, temeroso das ações de submarinos hostis em alto-mar.
O navio havia saído de Salvador/Bahia, às sete horas da manhã, rumando para o norte, com destino a Maceió, sua próxima escala. Desarmado e com as luzes de navegação apagadas, singrava as águas do litoral nordestino a uma velocidade de 9 nós (16 km), num local em que a profundidade era de 40 metros.
Do Rio de Janeiro, seu porto de partida, até a Bahia, o mar esteve calmo. Porém, desse ponto em diante, já se apresentava picado, espumoso, com fortes marolas. Levava a bordo 306 pessoas, incluindo a tripulação, de 73 homens, e uma unidade do Exército, cujos componentes — oficiais e soldados — iam acompanhados de suas famílias, algumas com muitas crianças, em um total de 233 passageiros, além de uma carga geral - material bélico incluso - avaliada em mais de onze milhões de cruzeiros.
Os passageiros tinham acabado de jantar e comemoravam o aniversário do Primeiro Comissário, Sebastião Ferreira Tarouquella. Uma orquestra tocava no salão e o capitão junto com alguns passageiros participavam da festa. No lado de fora, sob o toldo do convés de popa, soldados — a maioria cariocas — cantavam e batucavam alegremente sem suspeitar de nada, em volta do canhão e em cima das caixas de mercadorias e munições. Eram do 7º Grupo de Artilharia de Dorso, comandados pelo major Landerico de Albuquerque Lima, a caminho do Recife.
Às 19:12 (00:12 do dia 16, pelo Horário da Europa Central), o primeiro torpedo acertou em cheio o vapor. Com a explosão, as poucas luzes ainda acesas se apagaram e o pânico começou. Foram 300 kg de explosivos — suficientes para afundar um navio de guerra — que atingiram a casa das caldeiras. Um segundo torpedo foi lançado em seguida justamente contra os tanques de combustível. Simultaneamente ao estampido, houve uma explosão que fez destapar a escotilha do porão nº 2 de onde passaram a sair grandes labaredas que subiam até quase o topo do mastro. Com isso o navio se incendiou, adernando rapidamente a boreste, lado pelo qual foi atingido.
O radiotelegrafista não teve tempo de transmitir uma mensagem de socorro. Também não houve tempo de lançar os botes e baleeiras ao mar; apenas uma se soltou espontaneamente. Muitos dos passageiros estavam em suas cabines e não tiveram tempo de sair devido à rapidez do afundamento. O comandante João Soares da Silva morreu na ponte de comando acionando o apito do navio, segundo depoimento de testemunhas.
O navio levou dois minutos para submergir. Esse lapso de tempo foi preciosamente relatado pelo oficial de artilharia Lauro Moutinho dos Reis, um dos poucos sobreviventes:
Alguns náufragos conseguiram chegar à única baleeira que se soltou; 28 sobreviventes chegaram a terra na manhã do dia seguinte. Outros oito levaram mais um dia para chegar na praia, agarrados a destroços. No total, salvaram-se 18 tripulantes e 18 passageiros (somente uma mulher). Todas as crianças a bordo morreram.






Com o passar dos longos anos as forças da corrente marinha levaram os destroços do Navio até a praia de Costa Azul, Localizada em Jandíra no litoral Baiano onde encalhou e permanece lá até o presente momento. Quando a maré está secando seus destroços ficam bem visíveis.


Vapor Beapendi - Praia de Costa Azul- Jandaíra/Bahia


Vapor Beapendi - Praia de Costa Azul- Jandaíra/Bahia


Vapor Beapendi - Praia de Costa Azul- Jandaíra/Bahia


Está imagem foi feita com a maré seca que deixou seus destroços bem visíveis, uma Imagem belíssima de uma tragédia ainda desconhecida por muitos.

A praia de Costa Azul fica localizada no município de 
Jandíra-Ba. 
Localizada no município de Jandaíra, a 202 km de Salvador, nas imediações do Povoado e praia de Costa
Azul, o acesso se dá a partir de Salvador, através da BA- 099, em direção à divisa com o estado de Sergipe.



Fonte de Informações: 
https://www.naufragiosdobrasil.com.br/navcostasergipe.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Baependi_(navio)
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